Fernando Pessoa: Meu Coração é um Pórtico Partido

Meu coração é um pórtico partido
Dando excessivamente sobre o mar.
Vejo em minha alma as velas vãs passar
E cada vela passa num sentido.

Um soslaio de sombras e ruído
Na transparente solidão do ar
Evoca estrelas sobre a noite estar
Em afastados céus o pórtico ido…

E em palmares de Antilhas entrevistas
Através de, com mãos eis apartados
Os sonhos, cortinados de ametistas,

Imperfeito o sabor de compensando
O grande espaço entre os troféus alçados
Ao centro do triunfo em ruído e bando…

Fernando Pessoa

Na 1.ª estrofe deduz-se:

Na 2ª. estrofe deduz-se:

Na 3ª. estrofe deduz-se:

Na 4ª. estrofe deduz-se:

Conclui-se que a desarticulação sintáctica presente nas duas últimas estrofes do poema e o afastamento nítido entre as duas quadras e os dois tercetos manifestam a angústia que domina a alma do poeta e que nela tudo fica cada vez mais insolível, mais distante, mais desconexo e mais perdido.