A Prosa: Historiografia - Crónicas
A Época
Tensões Sociais
No século XIV e durante parte do século XV, o rei funcionava por vezes como um árbitro entre forças que não chegavam a dominar-se uma à outra. Os "vilãos", isto é, os habitantes das "vilas" que cresciam à volta dos castelos e os guerreiros, senhores de grande poder ou simples fidalgos pertencem a mundos diferentes que vivem em tensão, prontos a guerrear-se ao primeiro pretexto; e se os do castelo obedecem ao preceito da fidelidade feudal ao rei seu senhor, os da vila tendem a considerar-se um poder autónomo, e reúnem-se por inciativa própria para deliberar sobre os casos importantes, tais como o casamento do rei, a sucessão do Reino ou a defesa da própria vila contra os invasores. As assembleias dos vilãos são tão frequentes e caracterizadas em Fernão Lopes que pode dizer-se que representam uma instituição, legalizada pelo direito consuetudinário.
Se o rei D. Pedro aparecia mitologicamente ao seu povo como um protector e um pai porque mandava cortar a cabeça aos fidalgos que dormiam com as filhas dos cidadãos, e porque não lançava tributos nem quebrava moeda, à custa da substância deles, o rei D. Fernando é pelo mesmo povo amaldiçoado - nas páginas de Fernão Lopes pelo menos - porque provocava guerras para conquistar terras alheias e satisfazer caprichos sentimentais; porque repetia, a seu bel-prazer, quebras de moeda (desvalorização) que arruinavam o povo; porque mandava apanhar homens pelas aldeias e trazê-los acorrentados em baraços para o serviço das naus que enviava a guerrear o rei de Castela. Mas a falada hesitação de D. Fernando mostra que as duas forças políticas nacionais se equilibravam. Ele não tinha força para se recusar a ir a um comício proposto em nome da gente de Lisboa por um alfaiate; mas escapava-se clandestinamente ao compromisso assumido, e mandava assassinar pela calada, ou a favor da fraca memória colectiva, os caudilhos populares que antes fingira acatar. Entre a vila e o castelo a tensão só esperava a ocasião propícia para se transformar em guerra.
A crise dinástica levantada pela morte do rei foi o detonador. A insurreição foi possível graças ao enfraquecimento da autoridade, resultante da morte do rei na ausência do seu sucessor, e ainda da incerteza que havia acerca da regência de Leonor Teles, contestada pelo castelhano. Naquele momento quem mandava?
Foi a dúvida sobre este ponto que enfraqueceu de momento a estrutura feudal e tornou possível a sua subversão pelas forças inimigas que até aí se equilibravam com ela.
A Crise de 1383-1385
A chamada revolução de 1383-85 teve dois momentos: o de 1383, realizado pelo "povo miúdo", de carácter de protesto contra as condições de vida e contra a aclamação de D. Beatriz; o de 1385, levado a cabo pelos burgueses quando reconheceram que os seus interesses estavam em causa e que poderiam aproveitar-se da força popular em seu benefício.
D. Fernando, último rei da primeira dinastia, morreu em 1383, deixando como herdeira do trono a infanta D. Beatriz, única filha que vingou do seu casamento com D. Leonor Teles. D. Beatriz casara meses antes com D. João I, rei de Castela. O contrato de casamento previa que D. Leonor Teles conservasse a regência até que D. Beatriz tivesse filho varão, maior de catorze anos. Seria esse o herdeiro da coroa portuguesa, mas não da de Castela, visto que D. João I de Castela tinha filhos de anterior casamento.
A aclamação de D. Beatriz como rainha foi mal aceite pelos que consideravam que o trono devia pertencer a um irmão de D. Fernando, o infante D. João, filho de D. Pedro I e Inês de Castro. Os burgueses citadinos reagiram contra a regência de D. Leonor Teles que significava a continuação da orientação política do reinado anterior. A revolta deflagrou em Lisboa. Alguns nobres e os grandes burgueses decidiram a morte de João Fernandes Andeiro, amante de D. Leonor Teles, um fidalgo galego que tinha sido o principal obreiro do tratado do casamento de D. Beatriz com o rei de Castela, tratado que na prática equivalia à entrega de Portugal a Castela.
Para essa arriscada missão foi escolhido D. João, mestre da Ordem de Avis, filho bastardo de D. Pedro I e de uma dama galega, Teresa Lourença. O assassinato do Conde de Andeiro teve lugar em Dezembro de 1383.
A população de Lisboa, alertada para dar apoio a este golpe, assumiu a direcção dos acontecimentos. Os mesteirais e o "povo miúdo" proclamaram o mestre de Avis regedor e defensor do reino, isto é, regente.
O mestre organizou um conselho de governo com legistas e mercadores, sendo criada a Casa dos Vinte e Quatro, conselho constituído por 24 homens, dois de cada um dos doze mesteres mais importantes que funcionava na Câmara de Lisboa.
Perante este estado revolucionário, a regente D. Leonor Teles pede auxílio ao rei de Castela. Este, considerando a impopularidade da regente como o maior obstáculo à aceitação pelos portugueses da sucessão de D. Beatriz, obrigou-a a desistir da regência em favor dele, rei de Castela. Em fins de Maio de 1384 pôs cerco a Lisboa com um poderoso exército. Todavia teve de regressar a Castela em Outubro para reunir novas forças devido a uma mortífera epidemia de peste.
No Alentejo, D. Nuno Álvares Pereira consegue, com um bando de camponeses, derrotar um forte corpo de cavalaria castelhana. Foi a batalha de Atoleiros em 6 de Abril de 1384. Esta vitória evidenciou a força do povo e a possibilidade de uma resistência vitoriosa. D. Nuno conseguiu mobilizar toda a força dos camponeses para a defesa da causa do mestre de Avis. Em Abril de 1385, reuniram as Cortes em Coimbra. Aí, por pressão dos representantes dos conselhos, orientados pelo célebre jurista João das Regras, o mestre de Avis foi aclamado rei. Decide-se que o conselho do rei seja formado por dois representantes de cada um dos grupos sociais: clero, nobreza, letrados e cidadãos.
O rei de Castela volta a invadir o País com um numeroso e poderoso exército onde se integrava a maioria da nobreza portuguesa. No dia 14 de Agosto de 1385, em Aljubarrota, os dois exércitos encontraram-se. As tropas portuguesas, muito menos numerosas, utilizando a técnica do quadrado, infligiram uma notável derrota aos castelhanos, com consequências políticas definitivas. D. Nuno Álvares Pereira teve acção decisiva nesta batalha. A guerra continuou por mais alguns anos, limitada a pequenos confrontos fronteiriços, o mais conhecido dos quais é a batalha de Valverde em Outubro de 1385 vencida por D. Nuno Álvares Pereira na região de Mérida. A paz veio a ser assinada em 1411.
A Revolução de 1438-1439
Entre as crises políticas que levaram ao poder o Mestre de Avis em 1383-85 e o infante D. Pedro em 1438-39 há muitas dissemelhanças, quer nos factos em que elas se revelaram quer nas causas de que procediam. Apesar disso, há, nos respectivos relatos (o da primeira devido a Fernão Lopes, o da segunda a Rui de Pina, na Crónica de D. Afonso V), coincidências surpreendentes que obrigam a relacionar as duas revoluções e a perguntar até que ponto a primeira não foi descrita a partir do modelo proporcionado pela segunda.
Em ambas as revoluções o conflito surgiu a propósito da regência: discutia-se se o governo devia ser exercido pela rainha viúva, como ficara escrito (no séc. XIV a rainha era Leonor Teles e o escrito era o contrato de casamento de D. Beatriz com D. João I de Castela; no seguinte, a rainha era D. Leonor de Aragão e o escrito era o testamento de D. Duarte, falecido em 1438), ou se por um irmão mais novo do rei falecido. As opiniões dividiam-se do mesmo modo: os nobres estão do lado da viúva, os oficiais mecânicos e o povo miúdo preferem o governo do irmão. E o conflito vem a eclodir num momento semelhante: em ambos os casos, na altura das cerimónias fúnebres por morte do rei.
Os fidalgos começam por, imprudentemente, minimizar a importância das forças do povo. Em ambos os caos é o povo de Lisboa quem desencadeia o impulso revolucionário. Os nobres ocupam com os seus soldados o castelo da cidade, para desse modo se oporem ao movimento popular, mas o povo cercou a fortaleza, impediu os de dentro de receberem socorros de fora e os nobres tiveram de desistir da resistência. A rainha, alarmada com os alvoroços da cidade, vai refugiar-se em Alenquer. Dali escreve à gente de Lisboa no intuito de a tranquilizar, assegurando, em troca da submissão, perdão da rebeldia. Mas, enquanto isso, mandava correios a caminho de Castela a pedir auxílio de tropas para jugularem a revolução. Mas o povo não cede. Reúne-se em S. Domingos e aclama ruidosamente o seu herói.
Fernão Lopes
As Fontes de Fernão Lopes
Para nos transmitir a "clara certidão da verdade", Fernão Lopes teve necessidade de se servir de variadas e seguras fontes. A primeira terá sido a sua própria experiência política. Com efeito, teria gravadas na retina dos seus olhos as imagens da revolução popular de 1438-1439. Tinha visto agitar-se a multidão, numa situação idêntica à que um século antes fizera encher as ruas de Lisboa em defesa do mestre de Avis.
Mas, embora muito fecunda, não chegava a sua experiência para a construção de obra tão rica. Por isso, o seu trabalho teve outras fontes históricas. As de que mais se serviu foram a Crónica do Condestável, as crónicas castelhanas de Pero Lopes de Ayala e a história em latim do eclesiástico Dr. Christophorus.
A primeira está quase literalmente integrada na crónica de D. João I, ficando apenas de fora pequenos trechos que não terão oferecido garantias de autenticidade.
As crónicas de Pero Lopes de Ayala forneceram-lhe muitos dados relativos à história de Castela, nomeadamente ao período do reinado de D. João I. Critica, como se pode ver no prólogo da crónica de D. João I, a parcialidade deste cronista, arrastado pela "mundanal afeição".
Além disso, Fernão Lopes terá compilado grande número de documentos avulsos, pergaminhos de velhos cartórios, bulas papais, epitáfios e memórias sepulcrais. A sua profissão de notário e de guarda-mor das escritas da Torre do Tombo dava-lhe fácil acesso à consulta de arquivos nacionais. Também não se deve esquecer a importância dos relatos orais de testemunhas presenciais dos factos.
Todos os documentos, escritos ou orais, foram examinados, atenta e pacientemente, com olhos inteligentes e críticos, de tal modo que tudo quanto escreveu se pode considerar a "clara certidão da verdade", até hoje não desmentida em pontos essenciais.
A Grandiosa Visão da História
O melhor historiador, conforme hoje o concebemos, será aquele que compreender o maior número de factores de uma dada sociedade em transformação, determinar a cada passo a importância relativa de cada um deles, de maneira a poder dar-nos dessa sociedade, não um fragmento, mas uma visão racional de conjunto.
Também sob este aspecto a literatura medieval não nos oferece verdadeiros historiadores. Normalmente, os cronistas medievos estão ligados a uma corte real ou senhorial, a um convento, a um grupo social aristocrático ou governante, e apenas relatam os acontecimentos que interessam a esse restrito meio em que parece resumir-se para eles uma nação inteira ou até todo o universo. Trabalhando geralmente para cortes de cavaleiros, a história aparece através deles como uma série de feitos de cavalaria, torneios, aventuras de reis ou de grandes senhores, intrigas palacianas. A grande massa da nação, os interesses e os ideais que impelem a quase totalidade dos homens são por estes cronistas ou desconhecidos ou incompreendidos.
Em contraste com esta visão unilateral e fragmentária de outros cronistas medievais, Fernão Lopes dá-nos da sociedade portuguesa dos séculos XIV e XV um amplo panorama, em que entram múltiplos e contraditórios factores, e em que, combinada com as acções individuais, desempenha um papel preponderante a movimentação das grandes forças colectivas e anónimas.
Lendo Fernão Lopes, não perdemos de vista a corte e a sua vida íntima, bodas e amores, intrigas e conjuras palacianas. Mas vemos também, e com um relevo proporcionado, a cidade de Lisboa e os seus mesteirais, que largam o trabalho para organizarem "uniões" na rua, participar em comícios populares, pegar em armas quando é preciso; vemos alfaiates, tanoeiros, camponeses erigidos em heróis e falando em nome de grandes agrupamentos dotados de vontade própria; vemos gente de trabalho arrebanhada à força nas aldeias, para as galés que o rei D. Fernando envia contra a esquadra castelhana; vemos "povos do reino" assediando os castelos, derrubando-lhes as muralhas, que uma longa opressão tornara odiosas. Perante os desígnios da corte, manifesta-se, constantemente, uma vontade colectiva.
Nesta grandiosa visão de uma colectividade nacional, não escapam ao nosso cronista certos aspectos que só no século XIX voltaram a ser considerados por historiadores portugueses. Embora na sua época não houvesse nem a sombra de uma ciência económica, o senso profundo do nosso cronista, ou talvez antes o seu conviver com vilãos sujeitos ao peso dos impostos, à desvalorização da moeda, às devastações da guerra, etc., leva-o a considerar com atenção certas coisas práticas, especialmente aquelas que se reflectiam na vida dos burgueses e mesteirais. Assim é que encontramos nas suas páginas longas explicações acerca do sistema monetário, e especialmente sobre as quebras da moeda, tão frequentes na Idade Média.
Compreende-se que, abrangendo este largo horizonte, Fernão Lopes considerasse a cavalaria e a guerra com olhos diferentes daqueles com que a viam os cronistas palacianos. A guerra de que Fernão Lopes nos fala não é a guerra cavaleiresca, a alegre aventura em que os bravos ganham títulos de glória. Situando-se dentro de um ponto de vista nacional, Fernão Lopes sabe dar-lhe grandeza quando uma massa anónima, assaltando os castelos ou resistindo dentro das muralhas das vilas, defende a sua terra e a sua liberdade.
O único cavaleiro que sai engrandecido e certamente idealizado das páginas de Fernão Lopes - Nuno Álvares Pereira - é gabado pelo seu patriotismo, pela sua sabedoria, pelo seu respeito perante casas e propriedades dos vilãos, pela sua castidade - por qualidades em que ele contrasta com os cavaleiros do seu tempo, e fazem dele, aos olhos do cronista, o modelo do cavaleiro cristão, ao serviço de Deus e do povo.
A grandeza de Fernão Lopes como historiador consiste, principalmente, nesta visão multifacetada que abrange os aspectos colectivos da vida nacional e que lhe permitiu transmitir-nos o fresco global de uma época, em vez de simples narrativas de aventuras individuais vistas segundo a ideologia cavaleiresca, como as que nos apresentam outros cronistas medievos. Graças a esta superioridade de visão, possuímos hoje um precioso relato de conjunto da grande crise social que marcou em Portugal a passagem da Idade Média para os tempos modernos.
O Artista da Prosa
A característica fundamental da arte de Fernão Lopes é o seu poderoso visualismo: todos os seus recursos de escritor, amigo da veracidade e da clareza, tendem a mostrar-nos a coisa certa e como se passou. O melhor do seu estilo, sempre apropriado à narrativa, é empregado nisso. Através do diálogo em actos, presenciamos as figuras, determinamos os seus rasgos distintivos, o seu típico físico e moral. E, como se isso não bastasse, é o próprio autor que nos convida ainda à contemplação atenta, a "esguardar como se fôssemos presentes", como faz, por exemplo, no grande quadro do cerco de Lisboa, um dos mais patéticos de toda a nossa literatura.
Esta tendência para o visual e para o concreto não tolhe, em Fernão Lopes, um certo sentido de mistério, que a sua religião e os romances de cavalaria lhe haviam incutido. Nas grandes cenas, esta asa do mistério comunica-nos um arrepio de divino terror e dá-lhes uma grandeza profética. Contudo, este recurso da imaginação é pouco frequente, porque o génio literário de Fernão Lopes é sobretudo orientado para o movimento e para o pitoresco. Aquele escrivão delicia-se nos quadros de guerra e até, quando o assunto fraqueja, se entretém a contar-nos pequenas incursões nas terras de Castela, cuja finalidade era apenas a destruição e o roubo e cujo valor histórico é naturalmente muito diminuto.
É porém na descrição das multidões que Fernão Lopes atinge alturas a que nenhum escritor português chegou até agora. O quadro das arruaças de Lisboa, por ocasião da morte do Andeiro; o comportamento da multidão cheia de amor pelo Mestre e manobrada pelo velho e prestigioso Álvaro Pais; o místico e ardente desejo que a invade de ter um rei, escolhido pelo seu próprio afecto; as heroicidades e atribulações do cerco de Lisboa, tudo isto é duma intuição prodigiosa e descrito com um poder de simpatia e num colorido inigualável. A moderna ciência das multidões encontra nesses quadros, desenhados vigorosamente pelo cronista, a confirmação palpitante de acerto, dos mais indiscutíveis resultados a que tem chegado; a força impulsiva, o amor cego, a crueldade, a dedicação sublime, tudo enfim quanto constitui a grandeza e a terribilidade da alma colectiva, exasperada nos momentos de crise.
Prólogo
| Alguns Historiadores | Nós - Fernão Lopes (e o rei) |
| Parcialidade "mundanal afeiçom"(l.6), "seus dívidos" (l.25) dependência social, económica e afectiva |
Imparcialidade "posta adeparte toda afeiçom" (ll.44-45) |
| Deturpação dos factos "assi em louvor como per contrairo, nunca per eles é dereitamente recontada" (ll.11-12) |
Verdade da narração dos factos "escrever verdade sem outra mestura" (ll.46-47) Investigação dos factos "vimos grandes volumes de livros (…) púbricas escrituras de muitos cartarios e outros logares" (ll.62-64) |
| Prevalecimento da Forma sobre o Conteúdo "buscam fermosura e novidade de palavras e nom a certidom das estorias" (ll.70-71) |
Prevalecimento do Conteúdo sobre a Forma "leixados os compostos e afeitados razoamentos" (ll.74-75) |
Conceito de História para Fernão Lopes
- relato objectivo da verdade na sua natural simplicidade;
- livre de qualquer parcialidade gerada por um excessivo amor pátrio (não inventando façanhas nem ocultando desastres);
- com a certeza obtida através da séria investigação (pondo de parte tudo o que não pode ser provado através de documentos).
Das tribulações que Lixboa padecia per míngua de mantiimentos (cap. CXLVIII)
| Momentos | Espaço | Personagens | Acção | Sentimentos | Estilo |
| 1 º.- ll.1-28 Procura de trigo com resultados quase nulos |
Ribatejo Ribeira |
Castelhanos, habitantes da cidade, os que esperavam os bateis, os que velavam, os que iam buscar o trigo | buscar trigo em batéis por vezes eram apanhados pelas galés dos castelhanos espera dos batéis |
desespero, medo, coragem | Simultaneismo Frases longas Verbos de movimento comparação Polissíndeto |
| 2º.- ll.29-57 Expulsão da cidade de gente incapaz e pobre |
cidade areal dos castelhanos |
gente fraca e que não servia para a defesa, mulheres mundanas, judeus | deitar fora as pessoas fracas que no início eram aceites pelos castelhanos mas depois eram lançados novamente para a cidade onde já sabiam que não eram recebidos. | sofrimento, tristeza, angústia, rejeição, impiedade | Pergunta retórica Visualismo |
| 3º.- ll.58-100 Fome da população, carência de pão e carne |
cidade lugar onde vendiam trigo, praças e outros lugares |
pobres gentes, homens, cachopos, grandes gentes da cidade | padeciam muita fome, começaram a comer pão de bagaço de azeitona, esgravatavam a terra para achar trigo, bebiam tanta água, criavam porcos e bois, comiam carne dos burros. | resignação, fome e morte | Descrição Metáfora Quantificadores |
| 4º.- ll.101-116 Desespero da população |
cidade | toda a cidade | uns pediam porque as mães já não tinham leite para os filhos, passam a existir querelas mesquinhas entre as pessoas, lutas com o inimigo, consolam-se mutuamente. | sofrimento, tristeza, desespero, desgosto, preocupação, corajosos contra os inimigo | Comparação Visualismo Descrição Construção negativa Interrogação retórica |
| 5º.- ll.117-132 Recurso a Deus |
cidade | Povo, Mestre e seu Conselho | encomendavam missas e pregações, pediam ajuda a Deus, choravam e queixavam-se, pediam a morte. O Mestre e o seu Conselho sabiam disto mas nada podiam fazer. |
crença religiosa, sofrimento, desespero | Imagem "fincados… terra" Simultaneismo |
| 6º.- ll.133-173 O povo entre duas guerras |
cidade | toda a gente | maldiziam as suas vidas, choravam a morte dos filhos à fome, tinham medo da cruel vingança do rei de Castela, estavam entre dois inimigos: a fome e o cerco castelhano. | sofrimento, medo, padecimento | Negativa Pergunta retórica Metáfora |
Do alvoroço que foi na cidade cuidando que matavom o meestre, e como aló foi alvoro paaez e muitas gentes com ele (cap. XI)
"Fernão Lopes adora sobretudo o movimento, a acção." (Rodrigues Lapa)
Principais Recursos Expressivos Utilizados para esse Objectivo:
| Valorização do Significante | aliterações | sons em eco | onomatopeias | |||
| ll.46-50 "Taes i havia que certificavom que o Meestre era morto, pois as portas estavom çarradas, dizendo que as britassem pera entrar dentro, e veeriam que era do Meestre, ou que cousa era aquela:" | ll.24-25 "Soaram as vozes do arroido pela cidade ouvindo todos braadar que matavam o Meestre…" l.46 "Ali era ouvidos braados de desvairadas maneiras." l.107 "E el lhe respomdia, aadur podendo seer ouvido…" |
l.25 "braadar" verbo imitativo de origem onomatopaica l.48 "britassem" |
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| ritmo | ||||||
| lento | vivo | muito vivo | menos vivo | lento | ||
| ll.12-13 "As gentes que esto ouviam, saiam aa rua veer que cousa era…" |
l.27 "se moveram todos com mão armada" l.46 "Ali eram ouvidos braados de desvairadas maneira" |
ll.3-5 "…começou d'ir rijamente a galope em cima do cavalo…" ll.51-52 "Deles braadavom por lenha… Outrosse aficavam pedindo escadas…" |
ll.95-98 "Ó senhor como vos quiserom matar per traiçom beento seja Deos que vos guardou…" |
ll.118-123 "E indo assim ataa entrada do ressio, e o conde viinha com todolos seus…" | ||
| Substantivos | movimento | ruído | ||||
| l.4 "Galope" l.14 "vontades" l.67 "alvoroço" |
l.6 "vozes" l.78 "torvaçam" l.46 "Braados" l.55 "arroido" |
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| Verbos | perfeito | imperfeito | gerúndio | perfeito | imperfeito | gerúndio |
| l.10 "chegou" | l.99 "choravam" | l.27 "correndo" | l.24 "soaram" | l.28" diziam" ll.51-103 "bradavom" |
l.61 "dizendo" | |
| Funções da Linguagem | informativa | apelativa | emotiva | fática | ||
| ll.7-8 "Matom o Meestre! Matom o Meestre nos Paços da Rainha!…" | ll.21-22 "Acorramos ao Meestre, amigos, acorramos ao Meestre, ca filho é del-Rei dom Pedro." | ll.114-115 "Mantenha-vos Deos, senhor. Beento seja Deos que vos guardou…" | ll.44-45 "U matom o Meestre? que é do Meestre? quem çarrou estas portas?" | |||
| Discurso | indirecto | directo | ||||
| l.107 "E el lhe respondia, aadur podendo seer ouvido…" l.127 "E assi foram pera os Paaços u pousava o Conde." |
l.66 "- Pois se vivo é, mostrae-no-lo e vee-lo-emos." ll.76-77 "- Amigos, apacificae-vos, ca eu vivo e são som a Deos graças." |
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| Orações Consecutivas | ll.12-13 "…que cousa era…" LL 16 "…que estava…" ll.33-34 "…que era…" LL41-42 "…que eram…" |
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| Comparações | ll.16-17 "…segundo usança naquele tempo…" ll.25-26 e como se lhe este ficara…" |
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| Metáforas | ll.27 "…se moverom todos com mão armada…" l.40 "E per voontade de Deos todos feitos duu coraçom…" l.97 "…dae ao demo esses Paaços…" |
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